Haakon VIII: como a Noruega recebeu seu novo rei após a morte de Harald V
PELO MUNDO
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A Noruega viveu, nas últimas semanas, um dos momentos mais importantes de sua história recente. Após a morte do rei Harald V, em 28 de agosto de 2026, seu filho, Haakon, assumiu imediatamente a Coroa e passou a reinar como Haakon VIII. Poucos dias depois, em 1º de setembro, o novo soberano prestou juramento diante do Parlamento norueguês, comprometendo-se a respeitar a Constituição e as leis do país.
A sucessão chamou atenção não apenas pela importância da família real norueguesa, mas também pela maneira como uma monarquia constitucional realiza uma mudança de soberano. Diferentemente de uma eleição presidencial, não houve uma campanha, uma disputa eleitoral ou um período de incerteza sobre quem ocuparia a chefia de Estado. A sucessão ocorreu de acordo com as regras constitucionais estabelecidas para a Coroa.
Haakon VIII assumiu uma instituição que existe na Noruega dentro de um sistema político parlamentar. O rei exerce a função de chefe de Estado, enquanto o governo é conduzido pelo primeiro-ministro e pelo gabinete, responsáveis perante o Parlamento. O juramento prestado pelo novo monarca reforçou justamente essa dimensão constitucional de sua função: diante dos representantes eleitos, Haakon prometeu governar de acordo com a Constituição de 1814 e as leis norueguesas.
Uma sucessão sem coroação
Uma característica que pode surpreender muitos brasileiros é que Haakon VIII não passou por uma cerimônia de coroação. A Noruega aboliu a coroação em 1908. A transmissão da Coroa, portanto, não depende de uma cerimônia de coroação para produzir seus efeitos, e o novo rei assumiu o trono após a morte de seu pai.
Ainda assim, a mudança de soberano foi acompanhada por importantes cerimônias públicas. O juramento diante do Parlamento tornou-se um dos momentos centrais da transição, colocando lado a lado a instituição monárquica e as instituições democráticas do Estado norueguês.
A imagem do novo rei diante do Parlamento também ajuda a compreender uma característica das monarquias constitucionais contemporâneas: a existência de uma Coroa não significa necessariamente que o monarca governe diretamente o país. Na Noruega, a monarquia convive com uma estrutura parlamentar e constitucional na qual o governo possui papel central na condução política do Estado.
O legado de Harald V
Harald V morreu aos 89 anos, depois de décadas como soberano. Desde a notícia de sua morte, milhares de noruegueses foram ao Palácio Real para deixar flores, desenhos, velas e bandeiras em homenagem ao monarca.
Seu funeral, realizado em Oslo, reuniu a família real norueguesa, representantes de outras casas reais e autoridades internacionais. A cerimônia também marcou o fim de um reinado e o início de uma nova etapa para a monarquia norueguesa.
Agora, a atenção se volta para Haakon VIII. O novo rei chega ao trono em uma Noruega na qual a monarquia continua sendo objeto de interesse público. Uma pesquisa realizada pelo instituto Norstat para a emissora NRK e divulgada após a morte de Harald registrou 72% de apoio à monarquia entre os entrevistados, contra 20% que disseram preferir uma república ou outra forma de governo. A pesquisa é um retrato daquele momento específico e não representa, por si só, uma posição permanente da população norueguesa.
A sucessão norueguesa oferece, portanto, uma oportunidade para observar como uma monarquia constitucional pode atravessar uma mudança geracional mantendo suas regras institucionais. Para quem acompanha a história das monarquias, o caso também permite uma comparação interessante entre diferentes modelos de chefia de Estado e entre as experiências históricas de países que mantiveram suas Coroas.
Enquanto a Noruega inicia o reinado de Haakon VIII, o mundo acompanha mais uma sucessão dinástica. E, para os brasileiros interessados na história e no funcionamento das monarquias, o acontecimento traz uma pergunta inevitável: como seria uma sucessão imperial no Brasil se a Monarquia tivesse permanecido até os dias atuais?
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Flávio Ferreira
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